Entrada principal da Fazenda. |
Coloniais janelas de guilhotina dão à Fazenda uma beleza arquitetônica ímpar. |
Apesar de ser um significativo e importante polo turístico histórico e arquitetônico no
Estado do Rio de Janeiro, a cinco quilômetros de Vassouras, a Fazenda não recebe qualquer ajuda do poder público.
Cachoeira Grande é administrada pelo casal Núbia Caffarelli, viúva do último dono, o industrial italiano Francesco Vergara Caffarelli, hoje casada com o engenheiro Jorge Altino Joppert, responsável pela restauração do casarão, pintado de rosa com detalhes vinho e branco.
As dificuldades de gestão da Fazenda impedem, por exemplo, que detalhes como as cúpulas da luminária sejam substituídas quando quebram. |
Quarto mobiliado ao estilo colonial. |
O cardápio do jantar, exposto na Fazenda, oferecido à Princesa, em francês, tinha um punch (ponche) em homenagem ao Conde D'Eu. |
Um dos morros da Fazenda onde estavam plantados pés de café hoje é uma mata cerrada, mostrando como era a Mata Atlântica antes de devastada em nome do progresso. |
Depois de ser uma das grandes e mais
promissoras fazendas de café
da então
Província
fluminense chegando a ter plantados 250 mil pés, a Fazenda passou por diversas fases em seus 157 anos, de
esplendor e também
de decadência.
Abandonada pelos herdeiros do Barão de Vassouras, endividados, a
Fazenda foi tomada pelo Banco do Brasil, como aconteceu com muitas outras após a abolição da escravatura.
Em 1920, o imóvel de tantos
alqueires e história,
passou por outras mãos
até
que, em 1940, o italiano Mario Mondolfo que se refugiou no Brasil, durante a II Guerra Mundial, comprou a propriedade.
Cachoeira voltou, então, a florescer,
primeiro com a produção
agrícola
e depois com pecuária
leiteira, mas anos depois Mondolfo mudou-se para o Rio de Janeiro e a Fazenda
foi de novo abandonada.
Núbia contou que, em 1967, Mondolfo vendeu parte da
Fazenda a Gerson Tambasco, importante comerciante de Vassouras, que viu no local, por sua relativa proximidade com o Rio de Janeiro e São Paulo, transformá-lo num polo de jogo, apostando na revogação da lei que proíbe o jogo no Brasil - promulgada abril de 1946.
"O objetivo era transformar Cachoeira Grande num belo
cassino, dada a sua proximidade , porém, a proibição foi mantida e a Fazenda ficou novamente abandonada, dessa vez por 20 anos", lamentou.
Um dia de 1987, porém, o destino voltou
a sorrir para a Cachoeira Grande. O empresário, também
italiano Francesco Vergara Caffarelli, passando um fim de semana na fazenda de
um amigo, com a sua mulher Núbia,
nos arredores de Vassouras, soube que a propriedade estava à venda e ao visitá-la o casal
apaixonou-se pelo belíssimo
local.
A casa-sede, em formato de T, plantada
sobre uma plataforma de onde se descortina toda a fazenda, o que permitia ao
barão
controlar o trabalho dos escravos no manejo do café e as demais
atividades da Fazenda, apesar do estado precário, mostrava a beleza da imponente arquitetura colonial
rural.

Do alto da plataforma o barão controlava as atividades dos escravos e da fazenda. |
Francesco Vergara Caffarelli e Núbia naquele momento
decidiram que iriam devolver a dignidade histórica e arquitetônica ao velho casarão e contrataram o arquiteto Eloy de Mello, especialista em
arquitetura colonial, responsável
por diversos projetos pelo Brasil, e as obras ficaram a cargo do engenheiro
Jorge Altino Joppert.
A profunda reforma do prédio durou quatro
anos. Nas palavras de Núbia,
“uma
obra em que eu e meu marido, hoje falecido, dedicamos nossas vidas com paixão e respeito à história e principalmente
porque Caffarelli amava a propriedade e ali se sentia no paraíso e para cá trouxe boa parte de
sua coleção
de automóveis
antigos, que também
pode ser vista”.
Ao lado de Jorge, Núbia conta que
naquela época, além das obras físicas, ela teve a desafiadora missão de encontrar o
mobiliário
e as peças
de decoração
do período colonial, o que conseguiu percorrendo várias dezenas de
antiquários
e participando de leilões
com uma persistência
que durou os quatro anos da restauração.
Durante a viagem, primeiro pela Rodovia
Presidente Dutra (BR-101) depois pela RJ-127, a bordo de um moderno e confortável automóvel com motor de 140 cavalos, podemos imaginar o tempo que se levava para cobrir os 115 km,
entre o Rio de Janeiro e a Fazenda, no lombo de um cavalo ou sacolejando numa
carruagem puxada apenas por dois cavalos, o que foi minimizado com a entrada em
operação
da ferrovia ligando a capital do Império a Vassouras, em 1857.
Não é apenas a viagem até Vassouras que atrai a atenção do viajante, o trecho até a Cachoeira Grande é decorado por uma vegetação variada, multicolorida, de plantas que adornam as margens da estrada e ao chegar à porteira da Fazenda, a estrada é calçada de pedras envolvidas por grama verdejante.
O chilrear de pássaros onde
sobressai o canto dos sabiás e o alto e esganiçado, quase grasnar, das maritacas, dividem sua atenção
com o amplo leque ambiental que marca o habitat da região. Logo na entrada, no alto, do lado
esquerdo, a casa onde mora o casal de empregados.
Plantas de ambos os lados na
estrada alegram a chegada ao casarão, construção
que surge lá
no alto como uma aura rosa contrastando com o céu azul sarapintado de nuvens brancas.
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A grande cachoeira que deu o nome à Fazenda. |
A recepção é
feita pelo casal Jorge e Núbia.
O primeiro contato com o casarão
é
no hall de entrada quando se abre a vistosa porta principal, de 3,50m de altura, da Cachoeira Grande.
Da sala de entrada podem ver-se os vários ambientes, que incluem a capela da fazenda, onde Núbia agradece a
presença
dos visitantes tocando em um antigo harmônio de fole "Em Algum Lugar do Passado".
"Esse momento é mágico a ponto de
algumas senhoras se emocionarem com lágrimas nos olhos", revela.
Na visita percorre-se todo o casarão onde se pode
apreciar todos os objetos que compõem a linda decoração.
No último salão
existe outro um piano de cauda, em que Núbia se distrai tocando obras clássicas e da MPB. "Antes, aqui, era a cozinha da Fazenda e pela configuração da casa, daqui, se vislumbram todas as dependências, enfileiradas, dando a impressão de se tratar de uma visão espelhada, como se multiplicassem as imagens", alerta Núbia.
Os móveis da cozinha, que mudou de lugar, foram os únicos que sobraram do abandono Fazenda. |
Entrevista
Assista o vídeo em que Núbia Cafarrelli fala como conheceu a Fazenda Cachoeira Grande e de sua história:http://www.youtube.com/watch?v=IbfcS22ghns&list=PL22ABA92C85F20B83&feature=share&index=9
Como
chegar
Saindo do Rio de Janeiro, o visitante
deve seguir pela Rodovia Presidente Dutra no sentido São Paulo, entrando à direita, logo após o pedágio, na saída 212 que dá acesso a Paracambi,
Mendes Vassouras.
Passando por Paracambi, deve subir a
serra em direção
a Mendes (RJ127). Assim que atravessar a cidade de Mendes, seguir na estrada
Mendes-Vassouras, passando pela ponte do Rocha, indo até o quilômetro 43, onde
encontrará
uma placa indicando a entrada para a fazenda a direita.
É
uma subida asfaltada com aproximadamente 1 km que se transforma em uma estrada
de paralelepípedo
que leva até
à
sede da Fazenda.
Pelo GPS a referência é (RJ127):
Lat. 22*25'52,69" S
Visitas
guiadas e hospedagem
Como os proprietários moram na
fazenda, há
dois horários
de visitação:
A primeira às 11 horas e a
segunda às
15h, sempre sendo necessário
o agendamento prévio
pelo e-mail: nubia@fazendacachoeiragrande.com.br.
A visita custa R$ 70,00 (tarifa de
2013) por pessoa e inclui um lanche no salão do piano, sem hora marcada para sair.
Através das agências
de viagens podem ser marcadas as visitas à Fazenda:
Elcotour
Bomtempo
Rua Panorama, 444, Melo Afonso,
Vassouras- RJ, CEP 27700-000. Fone/Fax: (24) 9228-5694 / (24)8138-2665.
Quem desejar poderá combinar com Núbia e Jorge hospedagem por alguns dias.
Quem desejar poderá combinar com Núbia e Jorge hospedagem por alguns dias.