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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Ministério do Turismo investe R$ 10M em campanha publicitária para incentivar o turismo no Rio de Janeiro sem um plano de segurança pública sério.



Texto: Arnaldo Moreira

O Ministério do Turismo tomou uma decisão inteligente e justa no alvorecer do ano ao investir numa campanha de incentivo dirigida aos brasileiros, através da mídia nacional, para que visitem o Rio de Janeiro. Afinal, se os cariocas e os fluminenses não têm segurança, como os demais brasileiros e os estrangeiros acreditarão que o Rio é uma cidade segura?

O Estado como é de domínio público passa por problemas gravíssimos de caráter administrativo, de saúde e de segurança pública: funcionários com salários atrasados, o tráfico claramente delimitou o poder do Estado e os hospitais operam por milagre feito por profissionais abnegados que têm compromisso com quem precisa de seus serviços, já que o governante estadual (e o municipal, também, um tal de Crivella) não têm nenhum.

O turismo no Rio de Janeiro é de fato um problema muito sério. De um lado, o Estado e os Municípios, incluindo a capital, destinam receitas ridículas absolutamente incompetíveis com a importância que a capital e diversas cidades do interior têm no turismo nacional.

O turismo no Rio de Janeiro é de fato um problema muito sério. De um lado, o Estado e o Município destinam receitas ridículas absolutamente incompetíveis com a importância que a capital e diversas cidades do interior têm no turismo nacional.

De outra parte, as autoridades não conseguem garantir uma cidade segura para os habitantes e os turistas, ambos presas fáceis dos bandidos integrantes das facções ou dos malfeitores avulsos que agem no Estado.

A polícia não tem meios para controlar esses grupos com seu ínfimo atual efetivo. A PMERJ contraria todos os índices de segurança mundiais que indicam um policial para cada grupo de 450 pessoas (segundo a ONU), mas os dados são de 2013, ou seja têm uma defasagem de cinco anos.

No Rio, essa relação é de um policial para em torno de 411,6 habitantes (de acordo com o IBGE), número que aumentou com a perda de efetivo que atualmente está em 45.000.

A quantidade de pms disponível para o policiamento é porém mais reduzido contando com os agentes de baixa por doença, em serviço em órgãos públicos (fórum, repartições, na própria PMERJ), presídios, segurança de autoridades, hospitais, de férias e ainda os de folga. Com isso, o efetivo disponível por turno de trabalho não deverá ser superior 15.000 a 20.000, estourando, em todo o Estado.

Diante desse dilema, a questão é como as autoridades federais, estaduais e municipais pretendem resolver esse problema gravíssimo, que é marcado com o sangue de mais de uma centena de policiais assassinados e mortos em confrontos diários com os bandidos, em 2017, e muitas outras pessoas vítimas de assaltantes e de balas perdidas.

Sabemos que essa solução depende de uma política honesta de longo prazo, bem elaborada, de dinheiro, seriedade (o que vem faltando aos governantes e políticos) e acima de tudo um projeto de educação que retire das mãos do tráfico, da mendicância, das ruas e mantenha as crianças e adolescentes na escola o dia todo.

Para isso, basta reativar e reimplantar o projeto de educação de Darcy Ribeiro. Desse modo, teremos uma nova sociedade nos próximos anos.

O Brasil recebeu 6,6 milhões de turistas estrangeiros, em 2016, e desses cerca de 1,5 milhão, passaram pelo Rio, a grande maioria no Carnaval e o restante durante o ano e na passagem de ano.

Esse quantitativo total do turismo e o direcionamento da campanha do Governo Federal mostram que a aposta é alta no turismo doméstico, mas não basta o incentivo do seu lema: “Rio de Janeiro. Vem que é muuuito maneiro!”, ajudado pelo refrão da música "Preamar", de Seu Jorge, isso é muito pouco para que os brasileiros percam o medo de vir à Cidade Maravilhosa enquanto o atual quadro de medo e insegurança perdurarem. Ao todo, serão investidos R$ 10 milhões até o fim de janeiro na veiculação das peças publicitárias.
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